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quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Movimento Estudantil na UFG...

Mais vivo que nunca!!!

No início do ano de 2007 a realidade não era muito animadora. Nos deparamos com um DCE paralisado, sede depredada, espaço cultural marginalizado e quase esquecido pelos estudantes. Alguns chegavam a perguntar: "O DCE é uma lanchonete onde se tira Xerox?". A resposta à apatia veio em forma de votos. Uma vitória esmagadora da chapa Unidade e Ação. A eleição significou uma aposta dos estudantes na possibilidade de nos organizarmos e representar o anseio por mudanças.

A história mostrou que os estudantes estavam certos. Novos ares tomaram conta da UFG. Conversas pelos corredores, Assembléias...

O movimento estudantil estava de volta com o "bloco de rua"! Conseguimos estabelecer uma relação horizontal, com participação direta dos estudantes. Lutamos ao lado do Movimento Negro por uma política justa de ações afirmativas, contra o Projeto UFG "Ex"clui, apoiamos os estudantes na ocupação da USP e recentemente na ocupação da UNB contra as Fundações Privadas.

Por meio de suas linguagens, cada curso elaborou, manifestou e construiu o todo. O DCE não é mais "fulano" ou "ciclano", quatro ou cinco diretores. Hoje temos o DCE PRESENTE em todas as unidadesonde há estudantes lutando por demandas específicas ou gerais, envolvidos no Centro Acadêmico, movimentos sociais, projetos de extensão ou mesmo discutindo dentro de sua sala de aula.

Nesta caminhada vários parceiros vieram somar à reorganização do Movimento Estudantil na UFG, conquistamos o respeito de vários professores e técnicos administrativos e mantivemos nossa independência em relação à Reitoria. Sem dogmatismos, estivemos abertos ao diálogo mas, firmes em nosso posicionamento.

Chegamos ao fim desta gestão de alma lavada. Temos hoje uma sede no Setor Universitário totalmente reformada e revitalizada, com espaço para todas as expressóes culturais. Temos uma sede administrativa no Campus II como referência e ponto de apoio para as demandas estudantis e realimos uma "Calourada" como há muito não se via na UFG.

Muito se caminhou, mais ainda há de se caminhar. A luta não para! Procure o seu CA e o DCE. Não se contente em ser aluno, "um ser ausente de luz", SEJA ESTUDANTE EM MOVIMENTO!

(Texto retirado do Jornal do DCE - Gestão Unidade e Ação)

domingo, 20 de abril de 2008

O Movimento Estudantil vive...

Muito tem se propagado sobre o possível fim do Movimento Estudantil e da atual apatia dos jovens, porém, o que se viu durante todo o ano de 2007, diante da conjuntura imposta pelos decretos de governos estaduais (SP) e federal, foi um reavivamento em âmbito nacional do ME (Movimento Estudantil), até então, tido como "morto" pelos veículos de mídia e sociedade em geral. A bem da verdade, é peciso que se faça uma breve abordagem histórica do Movimento estudantil, pelo menos em seus fatos mais relevantes.

O ME participou ativamente na luta contra a ditadura militar, na Diretas Já, no Impeachment do Collor e em diversas outras mobilizações políticas do país.

Aponta-se que a citada apatia pode ser uma crise de direção, já que não só o ME, mas todos os movimentos sociais atuais passam por um processo de cooptação pela lógica imposta pelo capital.

A atual gestão do DCE – UFG acredita que deve-se fortalecer entidades locais como centros acadêmicos (CA's) e Diretórios Centrais de Estudantes (DCE's), tendo sempre como princípio defender as bandeiras históricas do ME de lutar contra a transformação das universidades públicas em fundações privadas, pela universalização do acesso ao ensino, universidade popular, enfim, em defesa da universidade publica e autônoma.

Na contramão destes princípios, em 2007, o governo Lula lançou o REUNI, programa de expansão das universidades públicas que as precariza. O CONSUNI (Conselho Universitário) da UFG iria votar a adesão ao programa sem aprofundar o debate com a Comunidade Universitária e foi neste momento que o DCE, juntamente aos CA's que tinham uma posição crítica ou de discordância em relação ao REUNI, se mobilizaram ocupando duas vezes o CONSUNI, impedindo as votações do programa do governo.

Em dezenas de outras universidades do país ocorreram ocupações de CONSUNIS e Reitorias, sendo que aqui houve ainda a ocupação do Centro de Seleção, a fim de defender a universidade pública e o tripé que a sustenta: ensino, pesquisa e extensão.

Todas essas mobilizações espalhadas pelo país, trouxeram à tona o Movimento Estudantil forte e combativo que há muito não se constituía como tal por diversos motivos. Seja desde o final da década de 80 com a queda do Muro de Berlim e com ele, como muitos afirmam, a queda das ideologias, o acirramento do capitalismo com a implementação do neoliberalismo em diversos paises e junto com ele, o exercício de alienação feito pela mídia, pelo próprio governo Lula que cooptou parte dos movimentos sociais para seu projeto eleitoreiro de manutenção do capitalismo, pela já anteriormente citada crise de entidades estudantis e com os partidos que até então eram tidos como defensores da classe trabalhadora e agora são vistos por muitos como traidores desta classe, passando por motivos de organização do próprio movimento.

Tudo isso pode ter gerado a tão famigerada apatia ou, quem sabe,a crise do ME que vem sido interrompida gradualmente.

Tal crise também gerou reflexões, e novas formas dos estudantes se organizarem têm surgido. Entende-se hoje que é importante fazer unidades programáticas em torno de pautas que unem os estudantes e levantando as bandeiras históricas do movimento.

Passou-se a pensar também, a respeito da direção, entidades com gestões chamadas horizontais ou colegiadas, onde não é respeitada a hierarquia tradicional de cargos que muitas vezes burocratizou o movimento, para se pensar em gestões onde, de forma organizada, todos contribuem igualitariamente para as lutas pautadas pelo movimento.

A atual gestão do DCE se organiza desta forma e tem, desde sua carta-programa, o compromisso de defender questões mais próximas dos estudantes, como investimentos em bolsa pesquisa e extensão, incentivos aos movimentos sociais na universidade e discutição dos movimentos de cultura.


Mariana Oliveira Lopes
Coordenadora do DCE-UFG Gestão Unidade e Ação

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Movimento Estudantil, o REUNI e a Assistência ao estudante...

Hoje uma das principais bandeiras do Movimento Estudantil é a Assistência Estudantil, entendemos que uma política de Assistência Estudantil deve garantir as seguintes dimensões: apoio ao desenvolvimento acadêmico; suporte psicossocial;condições de moradia;acesso à alimentação; à saúde e às atividades sócio-culturais e esportivas, além de alternativas de transporte aos locais das atividades acadêmicas.


A Política de Assistência Estudantil não pode ser compreendida como favor, mas sim como responsabilidade do Estado com a formação do cidadão. Devemos discutir a política de permanência e acesso dos estudantes como uma questão de direito para todos.


Somos extremamente críticos ao REUNI, no que diz respeito ao seu impacto na Assistência Estudantil, por mais que o governo alardeie que a verba para assistência aumentou "como nunca antes visto no Brasil", teremos na UFG a partir do ano que vem um aumento considerável no número de estudantes, que encontrará a seguinte realidade: Biblioteca fechada aos finais de semana por falta de funcionários, Restaurante Universitário Privado com uma comida péssima( já discordando de uma pesquisa recente que diz da aprovação dos sobre a comida, desafiamos qualquer um a comer lá a semana toda), pouquíssimas Bolsas de Iniciação Científica(PIBIC) com um valor irrisório 300,00 R$, onde o estudante tem que fazer seus bicos e não pode dedicar-se integralmente à pesquisa.


A expansão responsável que o Movimento Estudantil defende abarca o investimento e melhoria dos serviços odontológicos, psicológicos, creche, e para isso é necessário contratar muito mais funcionários, e remunerá-los dignamente, do que as vagas que estão sendo disponibilizadas pelo REUNI. Discordamos da bolsa permanência que coloca o estudante para substituir o funcionário, devido ao déficit no quadro administrativo vivido pela UFG, exemplo claro que se pode perceber na " bolsa-educação" oferecida pelo Hospital da Clínicas-UFG, onde estudantes de enfermagem substituem enfermeiros, e estudantes de História e Direito substituem assistentes administrativos.


O DCE -UFG entende que o aumento de vagas sem o proporcional aumento de verbas gerado pelo REUNI, só tende a piorar a política de Assistência Estudantil. Se constrói um conto de fadas, em um primeiro momento vem uma verba inicial e devido a tanto tempo sem investimentos na UFG, as pessoas irão se deslumbrar, mas passada a empolgação, verão que as contratações e prédios construídos pouco irão representar frente ao aumento vertiginoso de vagas e conseqüentemente de demandas para a permanência destes novos estudantes. Sabemos que a evasão se dá principalmente nos cursos com maior presença dos estudantes trabalhadores, e a permanência deste aluno está vinculada às condições que a UFG oferece para que ele termine seu curso.


Portanto o DCE-UFG defende como pontos centrais na política de Assistência Estudantil:

  • Resgate do Caráter Público do Restaurante Universitário, possibilitando a auto gestão, maior controle social e conseqüente melhora da qualidade;
  • Ampliação do Restaurante Universitário e da Creche;
  • Construção de Casas de Estudantes no Campus II, e nos Campi do interior;
  • Abertura dos laboratórios de Informática até as 23h para estudantes do noturno e aos finais de semana;
  • Aumento do número e do valor da Bolsa Permanência, sem ter como contrapartida o trabalho do estudante na substituição de funcionários da Universidade;
  • Funcionamento da Biblioteca até as 23h e aos finais de semana;
  • Aumento no número e no valor das Bolsas de Iniciação Científica;
  • Aumento no número e no valor das Bolsas de Extensão;
  • Aumento no acervo das Bibliotecas;
  • Abertura da Biblioteca á Comunidade
  • Garantia de Sistema de Transporte adequado que circule pelos Campi, com a diminuição dos intervalos dos ônibus em todos os turnos;
  • Efetivação de seguro para os alunos que desenvolvem atividades curriculares que caracterizem situação de periculosidade;

Temos certeza que há um interesse em comum em expandir esta Universidade, e que a mesma esteja cada vez mais aberta aos filhos da classe trabalhadora, porém mais que ingressar na UFG, é necessário que os estudantes tenham condições de permanecerem e se formarem cientistas e cidadãos, e assim viverem a plenitude de tudo que uma Instituição universitária de qualidade possa oferecer.

Paulo Winícius Teixeira de Paula (Maskote)

Coordenador do DCE Unidade e Ação